15 setembro 2006

Carta ao Grego - Segunda parte

Cheguei quase ao fim do primeiro quarto do livro "Carta a Greco". Estou deprimido. Estou achando agora, neste momento, que é uma merda não ser grego. Afinal, o início da civilização estava lá. Quando o autor Nikos não sei das quantas descreve os lugares, os odores, as árvores, as paisagens, as igrejas e os monumentos vou ao chão e choro de humilhação. Não sou grego! Porém, não tenho a coragem de dizer isso a ninguém, mesmo por que ninguém ainda me perguntou: "Você não é grego?!" E eu teria de responder: "Não!" Helena, Apolo, Artemisa, Afrodite, Ares, Esparta, Tróia e Mistra não fazem parte do dia-a-dia de um descendente de índio e português. Meu dia-a-dia se resume a Bush, Iraque, Bill Gates, Lula, Evo Morales e Chiclete com Banana. mas, embora eu viva em outro universo, é duro não ser grego! E, o pior de tudo não saber ler, escrever e nem falar grego. Como ler Sófocles no original? Como interpretar as églogas de Homero? Nesta hora devo prestar toda a minha homenagem a Jackeline. "Se você não é grega, case com um." Frase célebre de Onassis, que acabou por selar seu casamento. Acho que ela deve ter lido "Carta a Creco".

13 setembro 2006

Lucy cumpleaños

Há exatamente 56 anos nascia na Lapa a Lucy, minha mulher. Como já disse antes, esposa é a dos outros. Para festejar data tão única decidimos fazer uma festinha no próximo sábado e em virtude da quantidade enorme de convidados, fomos obrigados a alugar 3 clubes da cidade. Para evitar constrangimentos sócio-econômicos, dividimos os convidados em quatro classes: Os pobres, os remediados, os classe média e os abastados. No Clube Grã São João decidimos colocar os pobres, em função de ser um clube mais modesto e ter um salão bem grande. Os remediados, juntamente com a classe média, serão colocados no Nosso Clube. Os remediados curtirão a festa no ginásio de esportes e os classe média no salão social. Os abastados irão ao Limeira Clube, cujo salão social é bem menor que o dos outros clubes. Fomos obrigados a contratar 4 buffes. Para os pobres, o Bar do Juca, de Limeira, com um cardápio bem variado, que ia desde o cachorro-quente à canja de galinha. Para os convidados remediados do Nosso Clube, convidamos o Benvindo, de Piracicaba, que preparará 300 marmitex de virado à paulista. Para a classe média do Nosso Clube contratamos o Buffet Nazaré, muito bom: antepasto de salgadinhos(até bolinhos com catupiry), batidas variadas, uma massa, acho que rondelli, e um contra-filé com molho madeira e arroz. Para os abastados do Limeira Clube tivemos que ir a Campinas para contratar o Buffet Fleur de Liz,pois, gente fina é outra coisa. Terá até lagosta empanada.
Quando estava tudo programado, a Lucy disse: "Pô, eu acho que tem alguma coisa errada. Tem filha pobre e mãe rica e filho rico e pai pobre. Como é que nós vamos fazer se a família quiser se encontrar durante o aniversário?" Foi então que resolvemos contratar a Localiza, com uma frota de 12 Vans, para fazer a conexão entre os salões. No momento estamos decidindo a parte musical: Tentamos o Zezé de Camargo e Luciano para os pobres, a banda Calypso para os remediados, a filha da Elis Regina para a classe média e o Pink Floyd para os abastados.

Acho que vai dar tudo certo.



Esta foto é do meu aniversário de 60 anos. A careca foi apenas um reflexo do flash no meu topete.

12 setembro 2006

O carteiro e a apaixonada

Como cultor do cancioneiro popular brasileiro, obviamente, chutando para fora deste seleto grupo de compositores e cantores os Chitões, Zezés, Xororós, Lucianos, etc., até hoje estou intrigado com o que estava escrito na carta. Partindo do princípio que "Quando o carteiro chegou e meu nome gritou com uma carta na mão", dá para perceber que o Carlão, o carteiro tava sabendo das desditas da Isaurinha. Em seguida ela diz: "Ante surpresa tão rude, nem sei como pude chegar ao portão." Observando bem estes dois versos da música chegamos à brilhante conclusão que a heroína apaixonada não morava num apê. Sabemos também que ela sabia ler pois, continuou: "Lendo o envelope bonito, no seu sobrescrito eu reconheci a mesma caligrafia que me disse um dia estou farto de ti!" Nesta hora a enamorada queria dizer remetente(Na época ainda não havia o CEP). Mas, tudo bem, coisas de apaixonados. "Porém não tive coragem de abrir a mensagem" Nesta hora, chutou o balde, pois o Nicanor mandou uma carta e ela a classificou como uma simples mensagem, como essas de e-mail. "Porque na incerteza eu meditava e dizia será de alegria ou será de tristeza" A mocinha não consegue encarar a verdade de frente! Continua: Filosofa: "Quanta verdade tristonha a mentira risonha uma carta nos traz". Tem horas em que a filosofia funciona ao contrário. E terminou assim: "E assim pensando rasguei tua carta e queimei para não sofrer mais."
Até hoje, 50 anos depois de ouvir essa música pela primeira vez, tenho curiosidade de saber o que havia na carta.
Há várias possibilidades:
1. Um papagaio do Comind, já vencido, pela compra da enceradeira.
2. Uma conta com todas as despesas gastas pelo Nicanor durante o namoro.
3. Um pedido autoritário para ela devolver sua vitrola portátil e o disco do Carlos Galhardo.
4. Uma intimação do juizado de menores, em que constava a guarda do filho, ainda em gestação.
5. Uma poesia mostrando todo o seu arrependimento e pedindo para ela voltar, inclusive dizendo que pagaria o papagaio do Comind.
6. Um pedido para ela ficar de olho nesse carteiro sem vergonha.
7. Uma foto, onde aparecem abraçados Nicanor e seu novo namorado, o Rubinho.

Peço aos amigos que me ajudem. Por certo, hão de haver outras possibilidades.

Compositores: Cícero Nunes e Aldo Cabral



Acima a Irmãcaçula, Cecília e um pedaço de sua família: Gil e Priscila.

08 setembro 2006

Confissões de um envelhescente

Eu, pecador me confesso ante os poucos leitores deste blog que falhei. O texto sobre Nova York recebeu as piores críticas. Às vezes sinto-me compungido a parar de escrever bobagens. Porém, sei que todas as bobagens escritas ficarão para a posteridade. Richard disse: "Escreva o que quiser, pois, se não escrever, não ficará escrito. E tudo aquilo que for dito ou escrito, jamais se apagará." É por esse motivo que não apago aquelas bobagens, pois sei que, na cabeça de cada um de vocês, meus críticos, aquelas palavras estarão gravadas para todo o sempre, amém. Nesta hora é comum lembrarmos de Ptolomeu, o inventor da ciência celeste, que considerava a Terra o centro do Universo. Uma de suas melhores frases foi a seguinte: "Se seu condomínio é na Terra, por que se importar com Plutão?" Poucos entenderam sua assertiva, mas, alguns séculos depois os cientistas da Assembleia-geral da União Astronômica Internacional (IAU) rebaixaram Plutão à categoria de planeta anão. Longe de mim qualquer espécie de preconceito, mas se planeta já é uma merda, que se dirá de um planeta anão? Por estes motivos celestes e astronômicos é que acho que meu artigo sobre Nova York não deverá ser abolido do blog. Quantas noites em claro passei decorando o nome dos nove planetas... Quem se responsabilizará pelas minhas horas de sono perdidas? Isso não é nada me disse o Jucelino, grande astrólogo e visonário: "Como é que vou explicar à madame Alckmin que seu signo tinha como ascendente Plutão, um planeta anão?" E assim, verificamos que nossas vidas vão ficando cada vez mais complicadas, nossas crenças vão se desvanecendo e nossos planetas vão se definhando.

Acho que consegui: O blog de Nova York não foi o pior!

05 setembro 2006

Mais poesia

ARPEJOS E ACORDES



Imagina que eu sou tua guitarra
De que tiras acordes proibidos
De meus cabelos multicoloridos
Que te atraem e que tu agarras

Imagina que eu sou o derradeiro
Violino Stradivarius, teu inteiro,
Que se abre a teu arco masculino
E te devolve os sons mais celestiais

Imagina que eu sou o teu piano
Que minhas teclas tu acaricias
E eu te dou meu hino mais profano
E meus arpejos sexuais

Imagina que sou a tua flauta
E que tua boca é tão incandescente
Que nossa sinfonia é espaçonave
Que viaja e explode interminavelmente...



Nice Barth
S. Paulo, 31 de Julho de 2005

04 setembro 2006

New York, New York

Um dos sonhos que não se realizarão na minha vida é conhecer Nova York. Se eu pudesse, preferia conhecê-la na época do Natal. Pelo menos nos filmes, é uma beleza só. Os enfeites, a neve, as árvores de natal, aquele frio de matar! Gostaria de ir como uma pessoa qualquer, jamais como turista. Pegaria então um táxi e iria ao quarteirão mais famoso da cidade, o Times Square. Depois iria ao Rockfeller Center, no coração de Manhattan, para patinar no gelo. (Neste meu sonho, acho que patinar no gelo é mais difícil que conseguir ir à Nova York). Depois iria até o último andar do Empire State Building para ver a vista da cidade. Não custaria dar uma passadinha para ver o que sobrou do World Trade Center. E, de noite iria procurar um barzinho que tivesse um tremendo conjunto de jazz tocando tudo o que eu gosto. Porém, fica para a próxima encarnação. A dúvida que tenho é se a próxima encarnação será no futuro ou no passado. Se for no passado, tudo bem, dá para curtir. Mas, se for no futuro, acho que Nova York já não existirá. Preciso perguntar aos espíritas se é possível ter uma nova encarnação no presente. Se for assim, prefiro esta.

Tudo o que foi colocado acima é por que pensei assim: "Puxa, como é que o Zecão passou 9 meses nos Estados Unidos e não foi à Nova York?" Fica a apenas 2.800 km, e segundo o Yahoo, é uma viagenzinha de 27 horas. Fica bem mais perto que de Limeira: 10.000km.
Falando sério, acho que o Zecão não quer nem saber de Nova York. O negócio dele é Las Vegas, que fica bem pertinho, a 280km e com a vantagem que dá para ganhar um dinheirinho extra.

O PERNILONGO

A poesia é realmente da Nice. Creio que os adjetivos masculinos foram por causa das rimas. Infelizmente o Mesmeu não chegou ainda a esse nível de criação e escrituração.


01 setembro 2006

Hoje é dia de poesia

PERNILONGO DECIDIDO


Pernilongo decidido
Faz um vôo bem comprido
Lá de cima, em linha reta!
Minha face era sua meta...
E desceu como uma seta
Ou mesmo uma punhalada!
Já era de madrugada,
Pensou que a “meta” dormia...
Mas ao Jô eu assistia
E tentei, numa tacada,
Apanhá-lo com a mão
Mas tudo em vão,
O bichinho
Com brevê de aviação
Entoa um canto fininho
E some na escuridão.
Novamente concentrado
No programa preferido
Escuto um FIUNNN ardido
Da criatura pentelha
A rondar a minha orelha!
Mas me mexo e fico alerta
Sacudo e puxo a coberta,
Abano o ar, me defendo,
E o talzinho, não podendo
Mais pousar, fica irritado,
Alteia um FIUNNN irado
Em volta do meu ouvido,
Fica mais que decidido
E vem de novo atacar!
Mas o FIUNNN poderoso,
Que penetra como um pino
Num ponto meu perigoso,
Transforma-me em assassino:
Desse infame quero a morte!
E pra já quero seu fim!!!
Levanto em fúria e procuro
Um meio de trucidá-lo:
Mas esse inútil tem sorte,
E não consigo apanhá-lo!...
Já é fim de madrugada,
Não pude dormir, nem nada,
Por causa da ousadia
Desse “Sem Sangue” atrevido
Que não conhece o perigo
De uma guerra aqui comigo!
E de novo o persigo,
Louco pra executá-lo
De novo tento pegá-lo
Mas, de novo, não consigo!
Ele some!!! Até parece
Que esse monstro me conhece!
E sabe que tenho um sono
Enorme e que vou dormir...
Paciente, então, ele espera
Que adormeça a “minha fera”...
Sai de onde estava, quietinho,
Tranqüilo, devagarzinho,
Mira uma veia pulsante,
Esse pernilongo errante,
Pousa... leve... em minha testa...
Nada da dança funesta,
Nem do irritante FIUNNN...
Não o sinto, não tem peso,
Sou totalmente indefeso...
E ele faz sua refeição!...
E esse sangue que era meu
Ele suga até fartar!...
Mas acordo enfurecido
Pelo sono interrompido
E o Pernilongo decidido,

Estou decidido a matar!!!



Aguarde:


Pernilongo Decidido,

O RETORNO



Nice Barth
S. Paulo, Maio de 2005

31 agosto 2006

Caos e Ordem

Quando o Caos abriu os olhos pela primeira vez percebeu que havia muita remela nele, pois não enxergou direito a cara de seu pai, que estava meio assustado com a feiura do filho, semelhante à sua. Caos resolveu então chorar, pois todos sabem que o choro remove as remelas. Foi um choro tão alto que seu pai desligou a vitrola. Não adiantava naquela hora ouvir a Nona Sinfonia de Beethoven. Deixou para depois. Consultando o Dr. Gil para saber por que seu filho era tão feio, ouviu a seguinte resposta: "Olhe-se no espelho." Não olhou. Inconformado com a feiura de seu filho, contratou um pai de aluguel para lhe vender o semem, 2 anos depois, para implantar na sua mulher e ter outro filho, mais bonito. É importante saber que o pai de aluguel era sósia do Renato, o herói da novela das sete. Ninguém entendia por que Renato, um ator tão famoso, gostava de ser pai de aluguel. Depois descobriram que a enfermeira que lhe levava o vidrinho era mais bonita que a Ana Paula. Nove meses depois nasceu Ordem. Quando Ordem abriu os olhos pela primeira vez percebeu que seu pai era muito feio. Pediu então um espelho e viu que era lindo. Desconfiado, perguntou à sua mãe que merda era aquilo. Ela, como todas as mães que se prezam disse: "Pergunte pro seu pai." "Pai, que merda é essa?" O pai, surpreso com uma pergunta tão prematura disse: "É a sua." Ordem esqueceu que estavam trocando sua fralda. "Não, não é dessa que estou falando, é da outra: como fui sair tão bonito, se você é tão feio?" Apavorado o pai foi à cozinha, fritou um ovo de galinha caipira e pensou: "O que que eu vou falar para esse pirralho?" Nesta hora de incertezas e dúvidas chegou o Caos e perguntou ao pai: "Posso fazer uma plástica?" Arrependido de suas malvadezas, primeiro por ser muito feio e gerar um filho muito feio. Segundo por ter procurado um pai de aluguel lindo e ter tido outro filho, lindo, o pai do Caos e Ordem não agüentou e resolveu fugir com a babá do Caos. Precavido, uma semana após a fuga, fez vasectomia. Moral da história: "Quando sua vida estiver entre lá e cá, fuja com a babá."

30 agosto 2006

Resposta do Teste

Pois é, amigos, o autor é um velho conhecido do Zecão, o Richard Bach. Esses versos fazem parte do livro "Ilusões- Aventuras de um Messias Indeciso". Os trechos copiados são do Manual do Messias, que o Messias Indeciso, chamado Don W. Shimoda, empresta ao piloto do Fleet, para que tente se tornar um novo Messias, porque ele já está enjoado de ser Messias. Segundo alguns críticos, este livro é melhor que o Fernão Capelo Gaivota, que eu não li e, portanto, não posso comentar.
Olhem que interessante uma das máximas do Manual:

Eis aqui
um teste para verificar
se a sua missão na terra está
cumprida:

Se você está vivo,
não está.




A foto está cheia de reflexos do "descanso de prato", mas a Irmãcaçula é a da esquerda, com a nora Thaysa e o filho Daniel.

29 agosto 2006

Teste da semana

Me digam de quem são estes versos:

Perpectiva -
Use-A ou perca-A
Se virou para esta página
esqueceu-se de que aquilo que se passa
em volta de você não é realidade.
Pense nisso.

Lembre-se de onde veio,
para onde vai, e por que você criou
a confusão em que se meteu para começar.
Você terá uma morte horrível, lembre-se.
Tudo é um bom treino, e você gostará
mais se conservar os fatos
em mente.
Mas leve sua morte a sério.
Rir a caminho de sua execução
não é normalmente compreendido por formas
de vida menos avançadas, e
o chamarão de doido.

Aprender
é descobrir
aquilo que você já sabe.
Fazer é demonstrar que
você o sabe.
Ensinar é lembrar aos outros
que eles sabem tanto quanto você.

Vocês são todos aprendizes,
fazedores, professores.

A sua única
obrigação em qualquer vida
é ser sincero consigo mesmo.
Ser sincero com outra pessoa ou
outra coisa não só
é impossível, como ainda é a
marca de um falso
messias.


As
perguntas mais simples
são as mais profundas.
Onde você nasceu? Onde é o seu lar?
Para onde vai?
O que está fazendo?

Pense sobre
isso de vez em quando, e
Observe as suas respostas
se modificarem.

Você
ensina melhor
o que mais precisa
aprender.

Viva
de modo a nunca
se arrepender se algo que você faça
ou diga for publicado
pelo mundo afora -
mesmo que
o que for publicado
não seja verdade.